A história de Pedro e Inês

Domingo, fim de tarde. Faz sol e eu corro de um lado para o outro com o Pedro e a Inês em busca dos últimos raios de sol, em busca da última oportunidade para criar algumas memórias. Criar fotografias para encher a casa de vida e sorrisos. Queriam poder olhar para imagens e sonhar com todo o futuro que têm pela frente.


Tendo, por algum motivo que não sei explicar, em colocar o nome feminino sempre em primeiro lugar quando falo de casais heterossexuais. Neste caso é diferente, sem esforço.


São Pedro e Inês. Mas estes são meus.


"Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes insinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas.


Do teu Príncipe ali te respondiam

As lembranças que na alma lhe moravam,

Que sempre ante seus olhos te traziam,

Quando dos teus fernosos se apartavam;

De noite, em doces sonhos que mentiam,

De dia, em pensamentos que voavam;

E quanto, enfim, cuidava e quanto via

Eram tudo memórias de alegria."


Os Lusíadas - Inês de Castro, de Luís Vaz de Camões